Coreia do Norte: executados altos funcionários e outros detidos
"Programa nuclear da Coreia do Norte visava extorquir dinheiro aos EUA"
“Kim Hyok-chol
foi investigado e executado no aeroporto de Mirim com quatro funcionários do
Ministério das Relações Exteriores”. Na mais recente purga do regime, outros
responsáveis envolvidos na preparação e realização da cimeira terão sido
enviados para campos de prisioneiros políticos e submetidos a programas de
reeducação
O enviado
especial da Coreia do Norte aos EUA, que abriu caminho às conversações com
Washington sobre o programa nuclear de Pyongyang, terá sido executado na
sequência do fracasso do mais recente encontro entre o líder norte-coreano, Kim
Jong-un, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi
avançada esta sexta-feira pelo jornal sul-coreano “The Chosun Ilbo”.
Kim Hyok-chol e
funcionários da diplomacia norte-coreana, que conduziram os preparativos para a
cimeira Kim-Trump no Vietname, realizada em fevereiro, foram executados no mês
seguinte, escreve o diário. “Kim Hyok-chol foi investigado e executado no
aeroporto de Mirim [em Pyongyang] em março com quatro funcionários do
Ministério das Relações Exteriores”, revela o jornal, acrescentando que os
cinco foram acusados de espionagem a favor dos Estados Unidos.
Kim Hyok-chol foi
o interlocutor de Stephen Biegun, o representante especial norte-americano para
a Coreia do Norte, antes da cimeira.
TRABALHOS
FORÇADOS E “EDUCAÇÃO IDEOLÓGICA”
Ainda segundo o
“Chosun Ilbo”, que cita fontes norte-coreanas não identificadas, Kim Song-hye,
que trabalhou ao lado de Kim Hyok-chol, foi enviada para um campo de
prisioneiros políticos.
Kim Yong-chol,
que serviu como homólogo do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo,
foi submetido a trabalhos forçados e a “educação ideológica”.
Shin Hye-yong,
que fez de intérprete do líder norte-coreano na cimeira de Hanói, terá sido
enviada para um campo de prisioneiros políticos por alegadamente ter
minado a autoridade de Kim Jong-un ao cometer um erro de tradução.
Desconhece-se o
paradeiro de Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano, que o tem acompanhado
nas conversações sobre o programa nuclear.
O “JULGAMENTO
SEVERO DA REVOLUÇÃO”
Apesar de não
mencionar as alegadas purgas relatadas pelo “Chosun Ilbo”, o jornal estatal
norte-coreano “Rodong Sinmun” escreveu esta quinta-feira sobre “atos
antirrevolucionários” e “antipartidários” que não escaparão ao “julgamento
severo da revolução”. “Há traidores e vira-casacas que só memorizam palavras de
lealdade ao líder e mudam de acordo com as tendências do momento”, acrescentou.
É a primeira vez
desde a execução, em 2013, de Jang Song-thaek, tio e mentor do líder
norte-coreano, que expressões como “antirrevolucionário”, “antipartidário” e
“julgamento severo” surgem no jornal oficial de Pyongyang, segundo o “Chosun
Ilbo”.
Desde que se
tornou líder, em 2011, na sequência da morte do pai, Kim Jong-un já presidiu a
várias purgas. As mais recentes destinam-se a desviar as atenções dos
problemas internos na Coreia do Norte, refere o jornal sul-coreano.
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