Hong Kong: mantém proposta de lei sobre extradição apesar de protesto
O Governo de Hong
Kong anunciou hoje que vai manter a proposta de lei que permite extradições
para a China, na sequência do protesto maciço no domingo.
"Trata-se de
uma lei muito importante que vai garantir que a justiça prevaleça e Hong Kong
cumpra as suas obrigações internacionais em matéria de criminalidade
transfronteiriça e transaccional", disse a chefe do Executivo da região
administrativa especial chinesa, Carrie Lam, em declarações aos jornalistas.
Os organizadores
da manifestação de domingo afirmaram que mais de um milhão de pessoas desfilaram
pelas ruas da cidade, enquanto a polícia da antiga colónia britânica indicou que
o protesto juntou 240 mil participantes.
A marcha de
protesto decorreu sem grandes incidentes durante quase dez horas, mas cerca da
meia-noite manifestantes invadiram uma zona barricada e a polícia respondeu com
gás pimenta, de acordo com o jornal de Hong Kong, South China Morning Post.
As alterações à
lei da extradição já tinham motivado, em abril, a maior manifestação em Hong
Kong desde o "Movimento dos Guarda-chuvas", em 2014, num protesto que
reuniu meio milhão de pessoas.
A proposta de lei
apresentada pelo Governo de Hong Kong ao Conselho Legislativo (LegCo,
parlamento local) autoriza a extradição de condenados em fuga para vários
países com os quais o território não tem actualmente acordos de extradição,
incluindo a China continental.
Nas últimas
semanas, várias petições circularam contra a proposta de lei, milhares de
advogados organizaram uma marcha silenciosa e várias câmaras de comércio manifestaram
preocupação.
O Governo
considerou esta proposta um instrumento vital para combater o crime transaccional e manter o Estado de direito, enquanto os críticos afirmaram
temer que a população fique à mercê de um sistema judicial chinês opaco e politizado.
A controversa
proposta vai começar a ser debatida na quarta-feira no hemiciclo.
A transferência
de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respectivamente, decorreu sob o princípio 'um país, dois sistemas'.
Para as duas regiões administrativas especiais da
China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível
executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável
pelas relações externas e defesaFonte: agência lusa
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