Insurgentes atacam Nangade e raptam mulheres em Macomia
As incursões dos
insurgentes, que desde Outubro de 2017 tem protagonizado ataques armados, em
alguns distritos da zona norte da província de Cabo Delgado, estão cada vez
mais intensas. Na última quinta-feira (30 de Maio), por volta das 21
horas, um número desconhecido de malfeitores atacou a aldeia Narnuavíka, no
distrito de Nangade,e no sábado (01 de Junho), quatro mulheres de idades não
especificadas foram raptadas, na aldeia Nagulue, no Posto Administrativo de
Mucojo, distrito de Macomia.
Trata-se do segundo
ataque, em menos de um mês, a ser protagonizado pelos insurgentes naquele
distrito. Segundo fontes residentes na sede distrital de Nangade, o ataque
resultou na morte de pelo menos quatro pessoas, para além da perda de diversos
bens, devido ao incêndio de muitas residências naquela aldeia. Por sua vez, os
raptos aconteceram por volta das 15 horas, quando a população de Nagulue fugia
dos atacantes, que entraram naquela aldeia, disparando contra os presentes.
Fontes contam que
várias palhotas, erguidas após a passagem do ciclone Kenett, foram incendiadas
pelos insurgentes.
Este também é o
primeiro caso de raptos de mulheres que se verifica nos Postos Administrativos
de Mucojo e Quiterajo, em Macomia. Os dois Postos Administrativos são vítimas
desta situação, desde que eclodiu a situação de insurgência, em Cabo Delgado.
Por outro lado, tratou-se também de uma terceira incursão dos atacantes na
aldeia Nagulue. Na primeira, queimaram e vandalizaram as barracas, causando
também mortos.
Mais tarde,
queimaram maior parte das residências da população. Refira-se que, no mesmo dia
(01 de Junho), os atacantes entraram, pela segunda vez, na aldeia Nacutuco,
muito próxima de Nagulue, ambas pertencentes à localidade Pangane, no Posto
Administrativo de Mucojo, onde queimaram duas casas. A acção deu-se por volta
das 17 horas, mas a “Carta" foi informada que a mesma não provocou mais
vítimas, devido à aparição das Forças de Defesa e Segurança, que conseguiram
chegar a tempo de evitar o pior.
Os residentes de
Mucojo contam que a situação está cada vez mais ameaçadora, pois., além do
medo, nada de actividades pode ser feito, o que acelera os níveis de fome,
aumentando, assim, a sua dependência da ajuda humanitária, que também não é
suficiente.
A situação, que
se arrasta desde Outubro de 2017, está a provocar deslocações da população das
zonas afectadas para as supostamente seguras.
CARTA – 05.06.2019
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